O Ursinho que Queria Segurar a Lua
Numa floresta tranquila, onde o vento soprava tão devagar que parecia estar com sono, morava um pequeno ursinho chamado Bento.
A floresta à noite era mágica.
As árvores balançavam suavemente.
Os grilos cantavam baixinho.
E o céu… ah, o céu parecia um grande cobertor azul-escuro cheio de pontinhos brilhantes.
Toda noite, antes de dormir, Bento saía da toca e sentava-se numa pedrinha redonda perto do lago.
Ele olhava para o alto com atenção.
— Boa noite, dona Lua… — sussurrava.
A lua era grande, redonda e brilhava como uma lanterna dourada iluminando toda a floresta.
Bento suspirava.
— Mamãe… você acha que um dia eu consigo segurar a lua?
A mamãe urso, que sempre observava seu filhote com carinho, aproximava-se devagar e sentava ao lado dele.
— Meu filho… a lua é muito especial. Ela ilumina o caminho dos viajantes, clareia os rios e ajuda até os passarinhos a encontrarem seus ninhos.
Bento pensou um pouco.
— Mas ela parece tão pertinho…
Na noite seguinte, ele tentou.
Subiu numa pedra maior.
Ficou na ponta das patas.
Esticou o bracinho o mais alto que conseguiu.
— Só mais um pouquinho… — murmurava.
Mas a lua continuava lá, quietinha no céu.
Outra noite, ele tentou pular.
Pulou uma vez.
Pulou duas.
Pulou três.
Caiu sentado na grama macia e começou a rir.
— Acho que preciso crescer mais!
A mamãe sorriu.
— Algumas coisas não precisam ser alcançadas, Bento. Só apreciadas.
Mas o ursinho ainda estava curioso.
Então, numa noite especialmente silenciosa, algo diferente chamou sua atenção.
O lago estava tão calmo… tão parado… que parecia um espelho gigante.
Bento aproximou-se devagar.
E lá estava ela.
A lua.
Redonda. Brilhante.
Bem ali, dentro da água.
Seus olhinhos brilharam de alegria.
— Agora eu consigo!
Com muito cuidado, ele colocou a patinha na superfície do lago.
A água estava fresquinha.
E quando ele tentou pegar a lua…
Ploc!
A imagem se desfez em círculos luminosos que dançavam sobre a água.
Bento ficou parado.
Observando as ondas se espalharem devagar… devagar…
Ele tentou de novo.
E de novo a lua se transformou em pequenos brilhos ondulantes.
Então ele percebeu algo.
A lua não estava ali para ser segurada.
Ela estava ali para iluminar.
Para refletir.
Para enfeitar a noite.
Bento sentou-se na beira do lago e apenas ficou olhando.
Sentiu o cheirinho da grama úmida.
Ouviu os grilos cantando como uma canção de ninar.
Viu os vaga-lumes piscando como pequenas estrelinhas dançantes.
De repente, ele já não queria mais pegar a lua.
Ele só queria aproveitar aquele momento.
A mamãe se aproximou devagar.
— O que você descobriu, meu pequeno explorador?
Bento encostou-se nela.
— Descobri que algumas coisas são mais bonitas quando a gente só olha… e sente.
A mamãe deu um beijinho carinhoso em sua testa.
— Você está crescendo, Bento.
O ursinho bocejou.
Seus olhinhos ficaram pesados.
A lua continuava brilhando lá no alto, tranquila como sempre.
Bento voltou para a toca, deitou-se pertinho da mamãe e fechou os olhos.
Enquanto adormecia, pensou:
“Talvez eu não precise segurar a lua…
Porque ela já ilumina meus sonhos.”
E naquela noite, sob o brilho dourado do céu, um pequeno ursinho dormiu profundamente…
com a floresta inteira sussurrando boa noite.
Moral da história
Nem tudo que brilha precisa ser alcançado. Às vezes, as coisas mais bonitas da vida estão ali apenas para serem admiradas.




