A Flor que Dormia no Jardim

A Flor que Dormia no Jardim
A Flor que Dormia no Jardim

A Flor que Dormia no Jardim

Era uma vez, num jardinzinho bem quieto, uma florzinha pequena chamada Dormirina. Ela tinha pétalas cor-de-rosa clarinho, um miolinho amarelo brilhante e um perfume suave que só aparecia quando o dia estava acabando.

Durante o dia, enquanto as outras flores abriam bem suas pétalas para o sol, dançavam com o vento e chamavam as abelhas, Dormirina ficava um pouco mais fechadinha. — Eu gosto de guardar minha energia… — dizia ela baixinho para a brisa. — Quando o sol se despedir, aí eu descanso de verdade.

Ao entardecer, quando o céu começava a ficar laranja e depois rosinha, Dormirina começava seu ritual. Lentamente, pétala por pétala, ela ia fechando sua corola. — Uma pétala… duas pétalas… três pétalas… — contava ela com voz macia. Cada pétala que se fechava era como uma cortininha sendo puxada, deixando o barulho do dia lá fora.

Uma noite, um menininho chamado Benício estava na varanda olhando o jardim. Ele tinha corrido o dia inteiro, brincado de bola, subido em árvores, e agora seu corpinho parecia não querer parar. — Por que eu não consigo ficar quieto, vovó? — perguntou ele. A vovó sorriu e apontou para Dormirina. — Olha a florzinha. Ela sabe que o dia tem hora de acabar. Quando as pétalas se fecham, ela descansa e sonha com o sol de amanhã.

Benício se aproximou devagar e ficou observando. Viu as pétalas de Dormirina se dobrando com calma, uma a uma, até formar um botãozinho perfeito. — Ela parece tão tranquila… — sussurrou Benício. Ele imitou o movimento: fechou as mãozinhas devagar, como se fossem pétalas, e respirou fundo: inspira… expira…

Dormirina sentiu o olhar gentil do menino. Mesmo já quase fechada, ela soltou um perfume bem suave que chegou até Benício. Era um cheirinho de paz, de terra molhada e de noite fresquinha.

Benício voltou para o quarto, deitou na cama e imaginou que seu cobertor eram pétalas macias se fechando ao seu redor. — Uma pétala… duas pétalas… — sussurrou ele. A cada contagem, seu corpo ficava mais leve, os braços mais pesados, os olhos mais suaves.

Lá no jardim, Dormirina terminou de fechar suas pétalas e adormeceu feliz, sabendo que estava protegida pela escuridão gentil da noite.

E assim, toda noite, quando uma criança vê uma flor fechada no jardim ou sente o perfume suave da noite chegando… é porque Dormirina está lá, ensinando que fechar as pétalas (e os olhinhos) é o jeito mais bonito de descansar e esperar pelo novo dia.

Boa noite, feche suas pétalas devagar… e durma em paz. 🌸💤

Fim.

Moral da história

Assim como a flor sabe a hora de fechar suas pétalas e descansar, nós também temos um tempo certo para parar e dormir. Fechar os olhos com calma é um jeito carinhoso de cuidar de si mesmo. Quando descansamos bem à noite, ficamos fortes e bonitos para abrir de novo no dia seguinte!