O Barquinho no Lago Tranquilo

O Barquinho no Lago Tranquilo
O Barquinho no Lago Tranquilo

O Barquinho no Lago Tranquilo

Era uma vez, num laguinho escondido entre montanhas suaves, um barquinho de madeira chamado Tranquilo. Ele era pequeno, pintado de azul-claro, com uma velinha branca que nunca precisava de vento forte para se mexer. Tranquilo não gostava de corridas nem de ondas altas — ele preferia flutuar devagar, balançando gentilmente na água calma.

Enquanto outros barquinhos velejavam rápido, gritando “Vamos lá!” e pulando nas ondas, Tranquilo só seguia a correnteza suave do lago. — Plim… plom… plim… plom… — fazia a água batendo de leve no casco dele, como um coração batendo devagar. Cada balanço era um carinho, cada ondazinha um sussurro: “Vai com calma… tudo está bem…”

Uma noite, quando o lago ficou espelhado como um vidro escuro e a lua se refletia perfeitamente na água, uma menininha chamada Lívia estava na beira do lago com o papai. Ela tinha passado o dia correndo, brincando, rindo alto, e agora seu corpinho estava cheio de energia que não queria ir embora. — Papai, como faço para parar de pensar em tudo? — perguntou Lívia, balançando os pés na água. O papai apontou para o barquinho que flutuava ali perto, quase parado. — Olha o barquinho Tranquilo. Ele não luta contra a água… ele deixa ela levar. Tenta imaginar que você está dentro dele.

Lívia fechou os olhinhos e imaginou: ela entrou no barquinho, sentou no meio, abraçou os joelhos e deixou o lago balançar. Plim… plom… plim… plom… A cada balanço, um pensamento agitado ia embora, levado pela correnteza suave. Ela respirou fundo: inspira… expira… inspira… expira… O barquinho a embalava como um berço flutuante, e a lua lá em cima parecia sorrir para os dois.

Tranquilo sentiu o calorzinho da menina imaginária. Ele balançou um pouquinho mais devagar, como se dissesse: “Fica aqui comigo… o lago cuida da gente.” Lívia abriu um sorriso sonolento. Seu corpinho amoleceu, os ombros relaxaram, e os olhinhos pesaram como pedrinhas quentes.

Quando o papai chamou baixinho para voltar para casa, Lívia já estava quase dormindo em pé. — Boa noite, barquinho Tranquilo — sussurrou ela. E o barquinho, quietinho no lago, continuou flutuando, levando sonhos calmos para quem precisasse.

E assim, toda noite, quando uma criança sente o sono chegando como uma água mansa… é porque o Barquinho Tranquilo está lá, balançando devagar no lago da paz, mostrando que deixar ir é o jeito mais doce de chegar no sono gostoso.

Boa noite, balance devagar… e durma em paz. 

Fim.

Moral da história

“Nem sempre precisamos lutar contra o que sentimos. Quando a gente deixa o corpo balançar devagar, como um barquinho que na água está, as preocupações vão embora sozinhas e o sono chega suave e tranquilo. Estar em paz no coração é o segredo para descansar e no sono da noite sonhar! “